segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Aquela tal discussão sobre a maconha – O que o preconceito tem a ver com isso?

         


        Desde muito tempo as mais diversas sociedades enfrentam tabus quase inquebráveis, vários deles já dissolvidos ao longo dos séculos. Se durante a década de 1780 a.C punir um criminoso com o mesmo ato que o fez infrator era considerado normal, cabível, lei, hoje é visto com repugnância por grande parcela da sociedade, senão a maioria dela. Casos recentes de pessoas amarradas a postes têm tomado conta das mídias.  Se apedrejar e espancar um ser humano até a morte lembra a Idade Média, então vivemos resquícios do período, em pleno século XXI. Diante disso, constata-se: é mais que difícil conviver com as diferenças. É uma tarefa árdua que requer treinamento diário. Num Estado onde tudo de bom falta e, concomitantemente, tudo de ruim sobra, resta-nos o caos completo. Ou não.

A Cannabis Sativa, mais lembrada como Maconha, é uma erva utilizada há muitos séculos por diversos povos, os mais conhecidos são os indígenas. No entanto, essa realidade vem mudando ao longo das décadas, conforme já mencionado – os tabus vão caindo por terra. Assim como a cocaína, o crack, a heroína e outras diversas drogas, a maconha é relacionada a um tipo de público, a um gueto. Ela tem suas origens (DIFUNDIDA PELA MÍDIA, não é a origem real, vide link no final do post) fincadas no popular Reggae, imortalizada na figura de Bob Marley, que além de adepto ao reggae e grande ícone do estilo, é também negro.  Com a instituição da Lei Seca inicialmente nos EUA, a maconha e outras drogas passaram a ser ainda mais proibidas e a punição para quem cometesse infrações como dirigir alcoolizado ou sob efeitos de certas substâncias era severa. Continua sendo.

Entretanto, como já foi citado, o tempo passa e os tabus aos poucos vão deixando de existir, ou sendo amenizados. Assim ocorreu com a erva.  Hoje, muitos dependem dela para diminuir dores causadas por doenças graves e crônicas. Seus efeitos ainda são muito discutidos e talvez por isso ela seja tão polêmica. A-HA! Nem só por isso. Você já parou para se perguntar o porquê de nunca serem discutidos os motivos sociais de a maconha ser legalizada? Digo, não só referente ao impacto nas famílias, ao aumento no consumo, à violência, e sim a origem... Ora, o crack é associado aos negros, a cocaína aos brancos ricos, e a maconha? É associada a quem?  Sabia você que tribos indígenas - como os Aborígenes-, foram quase dizimadas na Austrália? Isso não lembra um período muito parecido com o nosso Brasil?  Vou ajudar a refrescar sua memória.

Era por volta do ano de 1500, alguns homens de nacionalidade portuguesa chegam em nosso país, a Terra do Pau Brasil. E encontram mulheres com suas vergonhas despidas. Homens da mesma forma: os famosos índios. Esses que sofreram durante séculos através do processo de aculturamento, através da escravidão.  Suas línguas e dialetos estão quase esquecidos, e sabemos que para acabar com um povo é preciso acabar com seu idioma, pois não tendo com quem se comunicar (o último praticante, no caso) sua cultura está morta.  Pois bem, muitos afirmam que o preconceito contra esses grupos que cultuam a erva como remédio, e alguns em rituais, seja um dos motivos para a não legalização. 

Ninguém quer que índios vivam. Não grandes mestres do agronegócio que encaram uma disputa infindável contra povos indígenas que sobrevivem sem o básico e reivindicam veementemente suas terras, ainda mais quando esses mestres estão por trás de boa parte das poltronas do Congresso Nacional.  Bom, é só uma teoria...No Brasil do século XX, por exemplo, maconha era coisa de “negro”, associada ao candomblé para facilitar a incorporação das divindades. Na Europa era coisa de imigrantes árabes. Nos EUA era coisa de imigrante mexicano. Ou seja, era utilizada por classes marginalizadas perante a sociedade. A classe média alta da época não via isso com bons olhos. 

Não há nem mesmo bons argumentos científicos que mostrem as consequências terríveis que a erva pode causar. Na Literatura Médica não há um registro sequer de morte por overdose de maconha. No máximo óbito causado por mau uso dessa substância + direção. O que ocorre com a ingestão de álcool, por exemplo.  O Uruguai, nosso país vizinho, e considerado um dos mais liberais da América Latina, senão o mais e conseguiu regredir a zero o número de mortes por tráfico.  Não obstante, há também o comércio da droga na Europa em países como Holanda e Portugal, alguns Estados dos EUA também regulamentam o uso e até permitem a plantação de pequenas quantidades em casa.

O fato é que ainda há muito que discutir, todavia argumentos como: acentua ainda mais o tráfico ou é responsável por aumentar o consumo, não convém.  A primeira opção porque a legalização vem pra desmantelar o comércio ilegal, diminuindo também os riscos do usuário ser levado a iniciação em drogas mais pesadas – sempre encorajada por traficantes – a última opção, porque não podemos afirmar que o consumo aumenta, pois antes não possuíamos dados completos em relação ao uso, uma vez que os usuários também eram tratados como traficantes e coniventes, vice-versa.

Entretanto, para que o processo de legalização dê certo, e não somente os usuários e a sociedade se beneficiem, torna-se necessário que essa última esteja preparada para encarar os primeiros como cidadãos normais, que agora podem utilizar a erva de forma segura e com o devido tratamento.  E claro, que os órgãos públicos estejam preparados para fazer a fiscalização e fomentar ainda mais pesquisas acerca da substância em questão, dos seus benefícios e malefícios, além disso, as empresas fornecedoras da droga devem ter devida regulamentação. Os tabus estão aí para serem quebrados. Os preconceitos é que parecem jamais cessar. Seria bom se fosse de todo saudável. Ter preconceito é normal, aprender a viver com as diferenças e respeitar o direito de outrem utilizar o corpo como quiser, as substâncias que quiser desde que respeitado o espaço dos demais, deveria ser cotidiano.

Pô, meus caros, maconha não mata neurônios, não. Falta de informação, sim.


Conforme prometido, aqui está o link para algumas informações referentes à erva.
Diário da Erva - Histórico da Maconha. Os dados podem ser conferidos e confrontados no documentário "Quebrando Tabus". O mesmo conta com participação de ex políticos e personalidades como Bill Clinton e FHC, ambos afirmam que o modelo proibicionista, claramente falhou.


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