terça-feira, 4 de novembro de 2014

Como fazer uma redação? Passo a passo.



Não usar primeira pessoa, nem mesmo no plural – do plural não é proibido, mas é melhor para evitar erros. 2 Evite termos que coloquem em dúvida seu posicionamento: talvez, eu acho. 3 Não faça uso de gírias: aí, ta ligado, né? 4 Evite mesóclise. 5 Não use frases no imperativo (aquelas frases que dizem o que é para fazermos: use isto, faça aquilo!), pois é de outro gênero – instrucional, logo pode gerar certa confusão no seu texto, podendo até fugir do gênero proposto. 6 Nunca deixe de dar sequência ao parágrafo anterior – a tal da coerência e coesão. Suas ideias devem fazer sentido, portanto, um parágrafo deve conversar com o outro.Estude o máximo que puder de concordância e grafia, são erros pequenos que fazem a diferença na nota final. Tira-se um pouco aqui, um pouco ali... Aí já viu. 8 Evite argumentos clichês, senso comum. É aquele primeiro pensamento que você teve e achou genial (há exceções, claro). Pense nos seus argumentos com calma. Pontue-os no cantinho da folha, relacione com informações que já leu, com dados, com livros, filmes e afins. 9 Faça uma letra caprichosa. A estrutura da redação e a estética são essenciais. Se o corretor não conseguir ler sua redação, você não tem nota. 10 Não abrevie.11 Não rebusque o texto. A boa dissertação é aquela em que o leitor consegue ler e entender o que está escrito.12 Não use muitas aliterações (repetição de vogais). 13 Evite estrangeirismos, parênteses, generalizações, repetição excessiva de palavras – repita no máximo três vezes a mesma palavra no TEXTO INTEIRO. Faça sempre exercícios para enriquecer seu vocabulário.  14 Se usar siglas desconhecidas, especifique. 15 Cuidado com acentuação de palavras, bem como uso de pontuação corretamente.16 Seja coerente. 17 Jamais escreva sobre algo que o tema não pediu. Se o tema é mobilidade urbana, não escreva sobre a crise econômica da Europa colocando-a como tema central, por exemplo.18 Evite períodos muito longos nas frases.19  Cuidado na construção das frases: empregue as palavras corretamente, pois caso contrário poderá prejudicar na semântica, na significação. 20  Também evite frases muito curtas.

Introdução: Primeiro parágrafo.
Na introdução você deve deixar claro seu posicionamento. Ao ler o tema, deve se perguntar: sou contra ou sou a favor? Respondido isso organize seus argumentos nos parágrafos seguintes. A introdução deve contar apenas com a descrição do assunto (por meio de fatos históricos, citação  ou mesmo definição do tema).
Por exemplo: mobilidade urbana.

Iniciando com um fato histórico:
Era o ano de 1915, uma grave seca assolava o sertão nordestino, migrantes de todas as partes do Nordeste iam para os grandes centros urbanos, em geral, São Paulo. Os retirantes levavam consigo a vontade de vencer na vida, especialmente de vencer a seca. Essa realidade, ainda que não muito condizente com a atualidade, relembra a problemática da mobilidade urbana. Quanto maior a população, melhor deverá ser a política instaurada para recebê-la. O que não é o caso da maioria dos Estados brasileiros.
Observação: viu? Eu fiz menção à grande seca de 1915, colocando a problemática da mobilidade urbana com a chegada de novas pessoas às cidades, pois quanto maior o contingente populacional, maior será o número de veículos nas ruas, a superlotação dos transportes públicos, etc.

Iniciando com uma citação:
“Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”, esse é um trecho de uma música muito conhecida que retrata bem o cotidiano de muitos, não somente dos habitantes das diversas favelas e cortiços do Brasil. A problemática da mobilidade urbana tem sido uns dos assuntos mais debatidos pela mídia, especialistas e pela sociedade, que é a mais prejudicada pela falta de providências a serem tomadas acerca do problema.
Observação: aqui eu usei uma letra de música que aparentemente nada teria a ver com o assunto, trabalhei-a na inclusão do parágrafo de introdução – veja bem, eu não lembrei nenhuma citação de autores conhecidos e renomados, mas a criatividade também vale. É importante colocar as aspas, afinal, não é uma frase sua. Depois, você pode desenvolver suas analogias  para explicar o tema – não deixe muito extenso o  primeiro parágrafo, ele é apenas introdutório, é para contextualizar o tema.


Iniciando com a definição do termo central MOBILIDADE.
Caos. Desrespeito. Lentidão no trânsito. Esses são alguns dos problemas causados pela falta de políticas que englobam a mobilidade urbana, tema central do ano de 2014, debatido por especialistas das mais diversas áreas – da Política à Engenharia. Seja por meio da mídia – ainda pelas redes televisivas- seja por meio das Redes Sociais ou do leque de informações que a Internet possibilita, o enfoque dado aos problemas acerca da mobilidade urbana, e ausência dela, é notável e compreensível. Ainda há muito que melhorar.
Observações: Eu apenas defini o que está ocorrendo. A argumentação acabou ficando  menos consistente, o parágrafo ficou mais "fraco", consequentemente o desenvolvimento, seguindo essa introdução, também ficará mais fraco.  Por isso eu indico a primeira opção – relacionar por fatos históricos – o texto fica mais interessante, no entanto as 3  possibilidades são válidas.


SEGUNDO PARÁGRAFO

No segundo parágrafo é preciso ter em mente que você deve apontar o primeiro argumento, porém antes de argumentar, você precisa apontar O QUE ESTÁ ARGUMENTANDO, ou melhor, CONTRA O QUE está argumentando.
Exemplo 1:

Um dos graves problemas enfrentados pelas metrópoles é o trânsito lento, enfadonho. Oposto das cidades interioranas, onde mal há movimentação de veículos em decorrência do menor fluxo de pessoas. Em municípios com cerca de 10 mil habitantes a frota de veículos nas ruas é excepcionalmente menor que em uma cidade com 100 vezes mais habitantes. O consumismo demasiado, já alertado por especialistas e retratado em diversos documentários, filmes, comerciais televisivos, é, quer direta ou indiretamente, um dos maiores responsáveis pelo caos da mobilidade urbana. Quanto maior o número de veículos nas ruas, maior é a lentidão no trânsito, por conseguinte maior o tempo desperdiçado. Gerando, não obstante, perdas consideráveis no mercado de trabalho e na qualidade de vida.

Problema:  trânsito lento.
Argumento: veículos em excesso, consumismo.
Consequência: perdas na produtividade e na qualidade de vida.



TERCEIRO PARÁGRAFO:  PROBLEMA 2+ ARGUMENTO 2

Exemplo 2:
O impacto negativo se dá nos âmbitos econômicos e sociais. Pesquisas recentes mostram que o paulistano perde um mês por ano, no trânsito. Esse fato pode ser explicado por outro dado: 40% dos habitantes da grande São Paulo, possuem um carro. O número ainda é menor do que muitas cidades norte-americanas, porém é maior do que na maioria das cidades latino-americanas. A enorme frota de veículos individuais é uma das maiores causas de poluição atmosférica, também.  75% das emissões de CO2, gás de efeito estufa, o famoso Monóxido de Carbono, vem dos veículos.  Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nas nove metrópoles brasileiras, dentre elas, Recife e Brasília, gastam-se em média 82 minutos diários no trânsito. Isso representa um desperdício de 300 bilhões de reais ao ano, caso o deslocamento fosse zerado, o que não irá ocorrer.  No entanto, se o deslocamento médio dos brasileiros fosse de 30 minutos por dia, o ganho de produção seria de 200 bilhões de reais ao ano, equivalente a mais de 5% do PIB brasileiro. 

Problema: deslocamento complicado. Perda de tempo. Perda de dinheiro.
Argumento: Grande número de veículos individuais.
Consequência: Poluição atmosférica, perda de dinheiro, perda de qualidade de vida.

QUARTO PARÁGRAFO: PROBLEMA 3+ ARGUMENTO 3.

A qualidade de vida também tende a diminuir. Com os polos culturais mais próximos dos centros, o deslocamento de quem mora em regiões menos favorecidas, como periferias, é quase uma tortura. O baixo poder aquisitivo torna-se um problema a ser enfrentado. Por conta disso, muitas famílias carentes não possuem acesso direto à cultura, lazer, cinema, teatros, shoppings, acabam por ser marginalizadas. O espaço urbano deve ser pensado para todos, entretanto não é assim que ocorre. A ausência de rampas, calçadas pavimentadas – o que é definido por lei como dever da prefeitura garanti-las, causa transtornos para os deficientes físicos e visuais que não conseguem se locomover sem ajuda de outrem.  Apesar de todos esses empecilhos, ainda há o desrespeito e a falta de cidadania, fato que deve ser encarado como um processo cultural.

Problema: Distância dos principais polos culturais.
Argumentação: Mau aproveitamento dos espaços urbanos.
Consequência: Marginalização de segmentos da sociedade.

QUINTO PARÁGRAFO: RETOMADA DA TESE+ REAFIRMAÇÃO DA POSIÇÃO+ PROPOSTA DE INTERVENÇÃO.

Um dos lemas do Governo Federal é “Brasil, um país de todos”, portanto, é preciso repensar as políticas públicas que tocam na questão da mobilidade urbana, Curitiba, capital do Paraná, tem o melhor sistema público de transporte do país, algo que poderia ser levado para as demais capitais e regiões. Com ônibus adaptados para atendimentos ao idoso, deficiente físico, não se esquecendo da população em geral. A sociedade precisa aceitar o fato de que é o transporte coletivo que deverá ser a saída para o real problema enfrentado, e isso é um processo educacional, sendo fundamental a inclusão de mais debates nas escolas de níveis fundamentais e médio, deixando cientes os jovens que futuramente serão os novos motoristas.  Além disso, há ainda a importância dos setores privados em desenvolver técnicas para que seus empregados consigam melhor qualidade de vida ao mesmo tempo em que elevem o lucro, como ocorre na França, onde empresas pagam um determinado valor para o funcionário ir de bicicleta ao trabalho, incentivando atividade física, meio de transporte limpo e aumentando a renda do empregador.

Retomada do parágrafo inicial: Essa realidade, ainda que não muito condizente com a atualidade, nos faz pensar na problemática da mobilidade urbana. Quanto maior a população, melhor deverá ser a política instaurada para recebê-la. O que não é o caso da maioria dos Estados brasileiros.  Presente em: é preciso repensar as políticas públicas que tocam na questão da mobilidade urbana
Reafirmação da tese: (Ver segundo parágrafo quando é citada a grande quantidade de veículos individuais, depois ler sobre os problemas gerados por eles, etc)... Presente em: A sociedade precisa aceitar o fato de que é o transporte coletivo que deverá ser a saída para o real problema enfrentado
Proposta de Intervenção: Ler o parágrafo completo, pois foram várias as propostas, que vão do segmento público (com exemplo de Curitiba), os segmentos sociais (com exemplo das palestras/debates) até os segmentos privados (Além disso, há ainda a importância dos setores privados em desenvolver técnicas para que seus empregados consigam melhor qualidade de vida ao mesmo tempo em que elevem o lucro, como ocorre na França, onde empresas pagam um determinado valor para o funcionário ir de bicicleta ao trabalho, incentivando atividade física, meio de transporte limpo e aumentando a renda do empregador.)

Observação: note que eu não falei para conscientizar a população, evite isso.



REDAÇÃO FINAL:

Era o ano de 1915, uma grave seca assolava o sertão nordestino, migrantes de todas as partes do Nordeste iam para os grandes centros urbanos, em geral, São Paulo. Os retirantes levavam consigo a vontade de vencer na vida, especialmente de vencer a seca. Essa realidade, ainda que não muito condizente com a atualidade, relembra a problemática da mobilidade urbana. Quanto maior a população, melhor deverá ser a política instaurada para recebê-la. O que não é o caso da maioria dos Estados brasileiros.

Um dos graves problemas enfrentados pelas metrópoles é o trânsito enfadonho. Oposto das cidades interioranas, onde mal há movimentação de automóveis em decorrência do menor fluxo de pessoas. Em municípios com cerca de 10 mil habitantes a frota de veículos nas ruas é excepcionalmente menor que em uma cidade com 100 vezes mais moradores. O consumismo demasiado, já alertado por especialistas e retratado em diversos documentários, é um dos maiores responsáveis pelo caos da mobilidade urbana. Quanto maior o número de veículos nas ruas, maior é a lentidão no trânsito, por conseguinte maior o tempo desperdiçado. Gerando perdas no mercado de trabalho e na qualidade de vida.

O impacto negativo se dá no âmbito econômico e social. Pesquisas recentes mostram que o paulistano perde um mês por ano, no trânsito. Esse fato pode ser explicado por outro dado: 40% dos habitantes da grande São Paulo possui um carro. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nas nove metrópoles brasileiras, dentre elas, Recife e Brasília, gastam-se em média 82 minutos diários no trânsito. Isso representa um desperdício de 300 bilhões de reais ao ano.  No entanto, se o deslocamento médio dos brasileiros fosse de 30 minutos por dia, o ganho de produção seria de 200 bilhões de reais ao ano, equivalente a mais de 5% do PIB brasileiro. 

A qualidade de vida também tende a diminuir. Com os polos culturais mais próximos dos centros, o deslocamento de quem mora em regiões menos favorecidas, como periferias, é quase uma tortura. O baixo poder aquisitivo também se torna um problema a ser enfrentado. Por conta disso, muitas famílias carentes não possuem acesso direto à cultura e ao lazer, acabam, assim, por ser marginalizadas.A ausência de rampas, calçadas pavimentadas – o que é definido por lei como dever da prefeitura garanti-las-, causa transtornos para os deficientes físicos e visuais que não conseguem se locomover sem ajuda de outrem.  Apesar de todos esses empecilhos, ainda há o desrespeito e a falta de cidadania no trânsito, fato que deve ser encarado como um processo cultural.

Um dos lemas do Governo Federal é “Brasil, um país de todos”, portanto, é preciso repensar as políticas públicas que tocam na questão da mobilidade urbana, Curitiba, capital do Paraná, tem o melhor sistema público de transporte do país, algo que poderia ser levado para as demais capitais e regiões. Com ônibus adaptados para atendimento ao idoso, deficiente físico, não se esquecendo da população em geral. A sociedade precisa aceitar o fato de que é o transporte coletivo que deverá ser a saída para solucionar o problema, e isso é um processo educacional, sendo fundamental a inclusão de mais debates nas escolas de níveis fundamentais e médio, deixando cientes os jovens que futuramente serão os novos motoristas.




Para ter sua redação corrigida, envia a proposta da redação + o texto para o email: atualidadesenemoficial@hotmail.com. O único pagamento que lhe será cobrado é uma nota elevada no vestibular. 



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