quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sugestão de leitura: "São Bernardo"

Paulo Honório, homem dotado de vontade férrea e da ambição de se tornar fazendeiro, depois de atingir seu objetivo, propõe-se a escrever um livro, contando a se vida, de guia de cego a senhor da Fazenda São Bernardo. Movido mais por uma imposição psicológica, Paulo Honório procura uma justificativa para o desmoronamento da sua vida e do seu fracassado casamento com Madalena, que se suicida. (fonte: Passei Web)

       Graciliano Ramos marcou a literatura brasileira no século XX por trazer em suas obras um retrato do cotidiano nordestino.  Autor também de Vidas Secas (1938), o escritor fez parte da segunda fase do modernismo brasileiro, e realizou com primazia o resgate ao regionalismo promovido por esse movimento em meados da década de 30.

         Graciliano fez parte de um movimento regionalista cujos representantes debruçaram-se sobre as temáticas sociais. Todavia, o escritor alagoano foi além: mergulhou nas profundezas da natureza humana, numa busca árdua pelo verdadeiro significado da ”humanidade” numa realidade em que as características do modo de produção influenciam cada vez mais a consciência que o homem tem do mundo. O livro é encantador pela sua linguagem despojada e brutal, e ao mesmo tempo pela sua densa carga psicológica.

       Aliás, é importante lembrar que o personagem principal do romance é uma espécie de homem reificado, de “coração pequeno e boca enorme”. Posto que uma das principais consequências da economia de mercado é o distanciamento das coisas de suas qualidades sensíveis, a relação estabelecida entre Paulo Honório e o mundo é pura e simplesmente a de possuído e possuidor, o que o leva a considerar seus trabalhadores meros fatores de produção, tratados com mais inferioridade do que os próprios animais de sua fazenda.


       Sem dúvida, uma leitura prazerosa e que possibilita a apreensão de conhecimentos extremamente úteis aos nossos companheiros vestibulandos. 

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